O grande problema do Brasil é a educação? Sem dúvida, mas
como este termo é bastante abrangente gostaria de dividir com você leitor (a) a
minha opinião sobre uma área específica: a educação no trânsito.
Ironicamente pretendo seguir na contramão deste assunto, pois as leis
brasileiras, nesta área, seguem mão única: a punição aos condutores de
veículos automotores. Este pressuposto de que ‘os maiores são responsáveis
pelos menores’ é a meu ver um dos erros mais crassos de nossa legislação e uma
das grandes causas de atropelamentos. Simplesmente por que a maioria dos
pedestres, ao não serem cobrados em sua conduta pelas autoridades, acabam se
tornando um tanto que licenciosos.
Procure caro(a) leitor(a) observar em nossas ruas e vejam se este é ou não é um
problema sério de educação. Tente contar quantos pedestres procuram à faixa de
segurança para atravessar a rua ou avenida. E destes, quantos aguardam o sinal
verde (quando há) para seguirem seu curso. Aliás, muitos parecem até mesmo
desconhecer a existência da faixa e do semáforo para pedestres. Por isso o que
vemos em nossas cidades são verdadeiras ordas de pessoas cruzando de qualquer
maneira suas movimentadas vias, arriscando suas vidas e as vidas de
outras pessoas sem que o poder público intervenha para coibir este tipo de
atitude irresponsável.
Pessoalmente, observo todos os dias, enquanto espero o sinal verde para
atravessar alguma rua ou avenida, dezenas de pessoas avançando com o sinal fechado,
muitas vezes obrigando os carros a pararem. Algumas olham para mim com certo ar
de deboche, julgando provavelmente que eu não saiba sequer atravessar uma rua.
Infelizmente acredito que muitos desses indivíduos julgam-se mais espertos do
que os outros ao atravessarem as vias públicas mais rapidamente, ignorando
totalmente qualquer sinalização.
É claro que não estou querendo dizer que todos os motoristas são inocentes e
que todos os pedestres são culpados pelos atropelamentos. Como exemplo, cito aqueles
condutores que avançam o sinal quando este está no amarelo, quase passando para
o vermelho, lançando-se sobre a faixa de segurança que já estava liberada para
o fluxo de pedestres. Ou então, aqueles motoristas que trafegam em velocidades
incompatíveis para com as zonas urbanas. Ou ainda, àqueles que transitam
falando ao celular ou que bebem antes ou durante o ato de dirigir. Existem maus
motoristas e existem maus pedestres e, creio que ambos deveriam ser educados
para tornar o nosso trânsito mais seguro.
Quanto
aos pedestres, sugiro que num primeiro momento, as Guardas Municipais, que
afinal são polícia de trânsito, instruam os pedestres, um a um se for preciso,
a seguirem duas normas para atravessarem as ruas:
1ª) utilizar sempre a faixa de segurança, obviamente quando houver uma.
2ª) só avançar sobre a faixa quando o sinal para pedestres estiver verde,
logicamente se houver este semáforo.
Num segundo momento, sugiro campanhas municipais, estaduais e uma
federal, instruindo os pedestres sobre seus direitos e deveres. Se nada disso
funcionar, creio que a lei deva estipular multa para aqueles pedestres que não
respeitarem a sinalização. Afinal, a lei é ou não é para todos?
Temos que mudar este conceito de que “os veículos de maior
porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados
pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres”.
Ora, quem deve ser responsável por um acidente é quem o causou,
indiferentemente do porte de seu veículo ou da falta deste. Todos, em seu juízo
perfeito, devem ser responsabilizados por seus atos. Devem respeitar o espaço
de outrem, ter direitos a usufruir e deveres a cumprir, inclusive no trânsito.
Em minha opinião este é o caminho que devemos seguir para diminuirmos o número
de atropelamentos e ainda por cima colocarmos um pouco de ordem no trânsito
cada vez mais caótico de nossas grandes cidades.
(Clávio
Schütz)
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